Sedução da cachaça se espalha pelos EUA, diz 'NYT'  

 

Importações crescem de 100 mil litros, em 1998, para 647 mil litros em 2007; preço é até 5 vezez maior 

 

O gosto pela cachaça vem se espalhando pelos Estados Unidos, afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo diário americano The New York Times. Segundo o jornal, as importações do produto brasileiro cresceram de menos de 100 mil litros em 1998 para 213 mil litros em 2002 e 647 mil litros em 2007.

A reportagem observa que as duas marcas que dominam o mercado, Pitú e 51, são produzidas em escala industrial e comercializadas nos Estados Unidos por até cinco vezes seu preço de venda no Brasil, "onde elas custam pouco mais do que uma garrafa de água e são pouco respeitadas".

O texto, que traz uma orientação sobre como pronunciar o nome da bebida (ka-SHA-sas), comenta que os americanos que já experimentaram o aguardente provavelmente o fizeram como parte de uma capirinha (kye-peer-EEN-yahs, orienta o jornal).

Mas o NYT comenta que há um crescente interesse nos Estados Unidos por cachaças artesanais, envelhecidas em tonéis de madeira. "As cachaças envelhecidas, que normalmente passam ao menos um ano em tonéis de madeira, representam ainda apenas uma pequena fração do mercado total de cachaça nos Estados Unidos", diz o jornal. "Mas a demanda está crescendo."

A reportagem comenta que mesmo no Brasil o gosto pela cachaça como bebida fina também é uma novidade. "Apesar de a cachaça existir desde o século 16, somente na última década que as marcas mais finas se tornaram populares", diz o texto.

Antônio Rocha, produtor da cachaça Rochinha, no Estado do Rio de Janeiro, comenta ao jornal que "até os anos 1990, a cachaça não tinha nenhum valor". "As cachaças que vendiam bem eram as anunciadas; as de qualidade não eram anunciadas e dependiam só do boca-a-boca", diz.

Para um importador citado pela reportagem, o mercado da cachaça "ainda está em sua infância". "O que a cachaça pode mostrar ao mundo é uma variedade de sabores que não está disponível em nenhum outro aguardente", diz o importador.

Fonte: BBC Brasil

Cachaçarias miram o mercado chinês

São Paulo - A estabilização do mercado de cachaças, com crescimento de cerca de 3% anuais nos últimos cinco anos, faz com que as grandes cachaçarias do Brasil ampliem a procura por mercados no exterior e diversifiquem cada vez mais a produção. Empresas como Companhia Müller de Bebidas, fabricante da Caninha 51, Oncinha, Sagatiba e a Indústrias Reunidas de Bebidas Tatuzinho (IRBT), que produz entre outras a Velho Barreiro, garantem crescimento acima do mercado abrindo novas portas no exterior e agregando valor aos produtos. Trata-se de um segmento que movimenta R$ 2 bilhões por ano no Brasil. Depois de três anos estudando o mercado chinês, a IRBT se prepara para invadir o maior mercado consumidor do mundo até o final deste ano com a cachaça Velho Barreiro. "Estamos estudando e analisando os hábitos de consumo da população. Avançamos bastante e estamos nos aproximando do parceiro ideal", contou César Rosa, presidente da IRTB e do Instituto Brasileiro da Cachaça. "É um desafio fazer um chinês beber cachaça. Eles têm restrições ao consumo de álcool", ponderou Rosa. Para conseguir sucesso no mercado externo, o executivo contou que apostará também em produtos derivados da cachaça, como a caipirinha pronta. "Estamos aumentando nosso portfólio para exportação. Inserimos produtos com maior valor agregado, como cachaças especiais e a caipirinha pronta", explicou. Em 2006, a IRTB exportou 2,1 milhões de litros de cachaça, volume ainda pequeno diante da produção de 40 milhões no ano.

No entanto, as expecativas de crescimento das exportações são maiores. Enquanto o volume deve crescer 8%, as vendas para outros países deve aumentar 14% este ano. Quem também está de olho em novos consumidores é a Sagatiba, que desde o seu surgimento, em 2004, tem o mercado externo como um objetivo a ser conquistado. Régis Pina, diretor comercial da empresa, conta que até o final do ano a Sagatiba - que já está presente em quatorze países - pretende entrar na Austrália, Rússia, República Tcheca e Polônia. Além disso, o executivo adiantou que a Sagatiba também pretende entrar na China até o final de 2008. A empresa pretende iniciar a comercialização de sua marca em outros quatro estados norte-americanos (Flórida, Nevada, Califórnia e Illinois). Atualmente as cachaças podem ser encontradas apenas em Nova York. "Trabalhamos muito com a comunidade de bartenders do país. Eles são fundamentais na escolha dos produtos", explicou Pina. No ano passado, a empresa vendeu cerca de 1,2 milhão de garrafas. "Estamos dobrando de tamanho nos últimos anos e nossa intenção é repetir esse crescimento em 2007". Apesar do objetivo, o executivo ressaltou que a prioridade da marca é conseguir abrir novos mercados. "O volume vai ser conseqüência desse trabalho", disse. Segundo ele, o principal desafio das cachaçarias é conseguir incluir a aguardente brasileira dentro da categoria de destilados internacionais, hoje dominadas pelo Whisky, pela Vodka, a Tequila, o Rum e o Gim. "Estamos construindo isso e sendo reconhecidos", afirmou Pina. Esse esforço da Sagatiba é valorizado até mesmo pelos concorrentes. "A Sagatiba é muito importante para o setor pois realiza bastante ações de marketing e propaganda", reconheceu Rosa, da IRBT. Os planos da Sagatiba incluem elevar o porcentual das exportações da empresa, que atualmente estão em 35%, para 50% do faturamento o mais rápido possível. "A nossa proposta tem sido bem recebida nos países em que já atuamos", disse. Apesar das ambiciosas metas para o mercado externo, o executivo afirmou que o principal é ser bem aceito no mercado brasileiro. "Temos a intenção de construir uma marca global.Precisamos ser bem sucedidos no mercado de origem" , informou. Atualmente, a capacidade total da unidade de fabricação da Sagatiba, localizada na região de Ribeirão Preto, é de 1,8 milhão de garrafas por mês. "Ainda temos como ampliar bastante a nossa produção", afirmou o executivo. Além da Sagatiba e da IRBT, a Oncinha também pretende ampliar seu espaço no exterior. Diferente das suas concorrentes, a cachaçaria de Ourinhos, no

interior de São Paulo, exporta sua cachaça a granel. Atualmente, a empresa tem parceria com a Excelsior, que envasa, distribui e comercializa sua cachaça nos Estados Unidos e na França. A empresa pretende ampliar a participação das exportações em seu faturamento de 2% em 2006 para 6% em 2007. "Estamos negociando com empresas de outros seis países", afirmou Fernando Ferrari, presidente. Segundo o executivo, além da ampliação das exportações, a Oncinha pretende diversificar ainda mais o portifólio de produtos no mercado interno. A expectativa da empresa é crescer 8% em 2007. Expansão: Luis Augusto Muller, um dos sócios da Companhia Müller de Bebidas, fabricante da Caninha 51, marca líder no mercado nacional, classifica o ano de 2007 como "muito bom". "Nossa expectativa é crescer até 5% esse ano", disse. Em 2006, a companhia produziu cerca de 220 milhões de litros e alcançou faturamento de R$ 550 milhões. A Müller exporta para 50 países e o executivo considera todos importantes da mesma maneira. Em 2006, as cachaçarias brasileiras exportaram 14 milhões de litros. A expectativa de crescimento é de 7% nas exportações em 2007.

( Fonte: Gazeta Mercantil - Indústria - Pág C4 - 04.07.07 )

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RANKING PLAYBOY DA CACHAÇA

Reunimos os maiores especialistas do Brasil
para eleger as 20 melhores aguardentes
 

Por Willian Vieira

 

Cada vez mais, o Brasil deixa de ser o único país do mundo a se envergonhar do seu destilado. A boa e velha cachaça há muito deixou de ser uma bebida sem valor. Hoje é apreciada em confrarias, tem admiradores mundo afora e já conta com legislação específica. Fatores que, combinados, impulsionam um mercado promissor, com lucro de até 600 milhões de dólares ao ano.

São mais de 5 mil marcas de cachaça legalizadas no Brasil e uma produção de cerca de 1,4 bilhão de litros ao ano. Nessa conta estão desde cachaças artesanais que levam anos para ficarem prontas e podem custar até 500 reais a garrafa, até pingas industriais produzidas em algumas horas e vendidas a 2 ou 3 reais. Um abismo não só de preço, mas principalmente de qualidade. Dizer qual cachaça tem sabor mais intenso, melhor buquê, melhor aroma e, em especial, qual realmente vale o que se paga por um vinho importado (embora raramente custe tanto) não é tarefa simples. Por isso, reunimos 13 experts no assunto e pedimos que eles votassem nas melhores cachaças do Brasil. Apurada a votação, levamos o químico especialista em destilados Erwin Weimann, autor do livro Cachaça: a Bebida Brasileira, à Universidade da Cachaça, em São Paulo, onde, ao lado do chef Sérgio Arno, dono da casa, ele degustou e comentou cada uma das 20 escolhidas. Confira aqui quais são, segundo os bons entendedores, as melhores aguardentes do país.

     
 
20º Lugar Volúpia
 
Procedência: Alagoa Grande, PB
Graduação alcoólica:
42%
Envelhecimento: descansada um ano
em freijó
 

Bebida de sabor forte e bastante pronunciado, a paraibana Volúpia é uma das duas representantes das cachaças nordestinas na votação dos especialistas.É descansada em freijó, uma madeira típica do Nordeste, raramente usada por outros produtores e que pouco interfere na bebida, o que explica a cor branca dessa aguardente.

 

19º Lugar GRM

 
Procedência: Araguari, MG
Graduação alcoólica:
41%
Envelhecimento: dois anos em carvalho, umburana e jequitibá-rosa
 
Cachaça envelhecida de excelente equilíbrio e harmonia. A combinação de três madeiras suaviza a força da umburana e proporciona um sabor palatável, puxado para o amargo.
 

 

     
 

18º Lugar Seleta

 
Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica:
42%
Envelhecimento: dois anos em umburana
 

Envelhecida em umburana, a Seleta é um bom exemplo da presença dessa madeira, que empresta um gosto acre, forte e persistente por muito tempo. Recomendada aos que gostam de sabores intensos.

 

17º Lugar Abaíra

 
Procedência: Chapada Diamantina, BA
Graduação alcoólica: 41%
Envelhecimento:
três anos em carvalho
 
 

Límpida e brilhante, com aroma suave. Nela prevalece o carvalho, que virou um símbolo de qualidade entre destilados, por causa dos whiskies e cognacs.

 
     
 

16º Lugar Lua Cheia

 
Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica:
45%
Envelhecimento: entre dois e três anos em bálsamo
 

Das mais típicas de Salinas. O bálsamo confere a ela uma cor dourada e cintilante, além de trazer um sabor amadeirado e levemente apimentado.

 

15º Lugar Mato Dentro

 
Procedência: São Luiz do Paraitinga, SP
Graduação alcoólica: 41%
Envelhecimento:
descansada oito meses em amendoim
 

Na variação Prata, a escolhida pelos votantes, ela é envelhecida em tonéis de amendoim, uma madeira neutra, que interfere pouco na aguardente, e dá coloração límpida. Tem sabor e aroma delicados, próximos da cana. Quase com "cheiro de roça".

 
     
 

14º Lugar Corisco

 
Procedência: Parati, RJ
Graduação alcoólica:
45%
Envelhecimento: dois anos em carvalho
 

 "É uma cachaça jovem, que ainda precisa envelhecer", afirmam nossos conhecedores. A combinação de muito álcool e pouco envelhecimento, característica das cachaças de Parati, resulta numa bebida forte e picante. Boa representante das pingas da região.

 

13º Lugar Sapucaia Velha

 
Procedência: Pindamonhangaba, SP
Graduação alcoólica: 40,5%
Envelhecimento:
dez anos em carvalho
 

É do envelhecimento no carvalho que vem o sabor e o buquê acentuados. Criada em 1930, tem fama de ser produzida com extremo cuidado.

 
     
 
12º Lugar Indaiazinha
 
Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica:
48%
Envelhecimento: oito anos em bálsamo
 

De cor dourada, passa por longo envelhecimento no bálsamo, o que dá a ela um sabor ligeiramente semelhante ao de amêndoa. "Para se beber de joelhos", diz Weimann.

 
 11º Lugar Marai Izabel
 
Procedência: Parati, RJ
Graduação alcoólica: 44% (o rótulo indica, erroneamente, 42%)
Envelhecimento: entre um e quatro anos em carvalho
 

Suave, agradável, de baixa acidez. Aroma e sabor lembram a cana. Se destaca entre as cachaças de Parati pelo esmero da produtora e pelo uso do carvalho.

 
     
 
10º Lugar Piragibana
 
Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica:
47%
Envelhecimento: 22 anos em bálsamo e carvalho
 
A Piragibana é harmônica, com sabor e aroma persistentes, ainda que delicados - resultado do longuíssimo envelhecimento em bálsamo e carvalho. Caso típico de influência da combinação de madeiras, aqui escolhidas por Juventino Miranda, o produtor.
 
9º Lugar Magnífica
 
Procedência: Miguel Pereira, RJ
Graduação alcoólica: 45%
Envelhecimento:
três anos em carvalho
 

Uma cachaça equilibrada. Apesar dos 45% de graduação alcoólica, a Magnífica é uma bebida suave, que desce fácil e apresenta buquê simples de cana jovem. Sua cor límpida é mais um destaque.

 
     
 
 8º Lugar Armazém Vieira
 
Procedência: Florianópolis, SC
Graduação alcoólica:
44%
Envelhecimento: quatro anos em ariribá
 

O ariribá, madeira do litoral catarinense pouco usada no armazenamento de cachaças, tem interferência mínima na bebida e permite que ela envelheça sem afetar o gosto da cana. Desce macia, segundo os especialistas, pois o frescor da cana equilibra bem com a madeira.

 
7º Lugar Casa Bucco
 
Procedência: Passo Velho, RS
Graduação alcoólica: 40%
Envelhecimento:
dois anos em bálsamo e carvalho
 
Seu aroma e o sabor de carvalho são persistentes e lembram um bom brandy. É ácida e um pouco forte, sabores típicos de um terroir com pH elevado. Para quem gosta de carvalho e de tudo o que a madeira
empresta à bebida.
 
     
 
6º Lugar Boazinha
 
Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica:
42%
Envelhecimento: dois anos em bálsamo
 
Cor brilhante e viscosidade perfeita, com forte presença do bálsamo no aroma e no sabor, que persistem longamente. A Boazinha é uma clássica representante de Salinas, por causa da influência da madeira: cor bem amarelada e sabor marcante.
 
5º Lugar Claudionor
 
Procedência: Januária, MG
Graduação alcoólica: 48%
Envelhecimento: entre um e meio e dois anos em carvalho
 
A cidade de Januária já foi sinônimo da bebida, mas perdeu a vez para Salinas como região emblemática da cachaça mineira. A Claudionor, porém, é ótima opção para quem gosta de cachaça à moda antiga, forte, com muito gosto de cana. Para adequar-se à nova legislação, teve de reduzir seus 54% de graduação alcoólica para "apenas" 48%. Transparente, apesar de bem envelhecida, Claudionor tem buquê neutro, de cana madura e bem descansada, cujo gosto persiste na boca. É uma cachaça com corpo, equilibrada, perfeita para quem foge das madeiras.
 
     
 
4º Lugar Germana
 
Procedência: Nova União, MG
Graduação alcoólica:
40%
Envelhecimento: dois anos em carvalho e bálsamo
 
Facilmente reconhecida numa prateleira devido à embalagem, a garrafa da Germana é toda revestida de folhas secas de bananeira por mulheres artesãs do Engenho de Nova União.
O objetivo é proteger a bebida da luz e do calor e assim manter suas características. Antes de ser engarrafada, a Germana envelhece dois anos em tonéis de carvalho e bálsamo. O resultado é uma cachaça suave, com sabor sutil, que pode agradar também ao público leigo.
 
3º Lugar Canarinha
 
Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 44%
Envelhecimento: três anos em bálsamo
 

A procedência e o sobrenome do produtor são belas credenciais. Produzida em Salinas, a Canarinha é feita por Noé Santiago, sobrinho de Anísio Santiago, criador da famosa cachaça Havana (veja abaixo). Antes de ser embalada nas tradicionais garrafas de cerveja, ela é envelhecida por três anos em tonéis de bálsamo, o que lhe confere uma cor suave, amarelinha, e um sabor levemente apimentado, típico das aguardentes de Salinas. Para Weimann, a cor dourada como um champagne, o sabor frutado e o buquê de flores do campo e capim fazem a diferença. "É uma cachaça das mais puras, equilibrada, persistente e excelente", garante Weimann.

 
     
 
2º Lugar Anísio Santiago
 
Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 44,8%
Envelhecimento: entre seis e oito anos em carvalho e bálsamo
 
Anísio Santiago é mais que uma cachaça - é um mito. Forte, com cheiro de madeira seca, um leve amargor que permanece na boca, sabor e aroma persistentes. "O segredo de Anísio é a combinação de madeiras diversas. Não é perfeita, é mais uma boa cachaça, um ícone a ser reverenciado", diz Weimann. E que se tornou mitológica devido a uma questão judicial: a Havana perdeu o nome e foi rebatizada como Anísio Santiago. Hoje, uma garrafa antiga de Havana chega a custar mais de 20 mil reais. "É o marketing 'cubano': 'a gente faz por gosto, dane-se o mercado, quem quiser que corra atrás'. Ainda que haja uma dúzia de cachaças tão boas quanto ela por 10% do preço", diz o jornalista Ronaldo Ribeiro, autor de várias reportagens sobre a Havana. O preço de uma Anísio Santiago varia bastante, podendo custar entre 200 e 300 reais em São Paulo. "A expectativa é tão grande que, ao provar, no primeiro gole você já está fascinado", garante Ribeiro. Tal é o sabor de uma boa história.
 
1º Lugar Vale Verde
 
Procedência: